
Como evitar desalinhamento entre expectativa e realidade da vaga
Contratar errado custa caro. Veja como alinhar expectativa e realidade da vaga antes de anunciar e evitar turnover no cartório.
Por que um escrevente recém-contratado pede demissão nos primeiros três meses? Quase sempre pelo mesmo motivo: o que ele encontrou não era o que ele esperava. O problema raramente é má-fé de alguém. É falta de clareza desde o início, e isso tem solução.
O que é o desalinhamento de expectativas em uma vaga?
É quando o candidato entende uma coisa sobre a vaga e o cartório espera outra. Isso pode acontecer na descrição do cargo, na entrevista, no salário, na rotina, nas responsabilidades ou na cultura do ambiente. O resultado é quase sempre o mesmo: frustração dos dois lados e uma recontratação que custa tempo e dinheiro.

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Como esse problema aparece na prática
O anúncio diz "escrevente de notas" e o candidato imagina um trabalho focado em escrituras e procurações. Quando chega, descobre que vai passar metade do dia no atendimento presencial, lidar com filas e resolver dúvidas de clientes ansiosos. Não é que o trabalho seja ruim. É que ninguém avisou direito.
Outro cenário comum: a vaga anuncia salário a combinar. O candidato chega à entrevista esperando um número e ouve outro, abaixo da sua expectativa. A reunião vira um constrangimento para os dois lados, e o processo é desperdiçado.
Tem ainda o caso da "vaga guarda-chuva", aquela descrição genérica que coloca tudo junto: "auxiliar administrativo com experiência em cartório". O candidato não sabe se vai trabalhar com registro, protocolo, atendimento ou financeiro. E muitas vezes o próprio cartório ainda não definiu isso direito antes de abrir a vaga.
Por que isso importa para o seu cartório
Turnover no cartório não é só um incômodo operacional. Você perde o tempo que investiu em treinamento, perde produtividade enquanto a posição fica em aberto, e ainda arrisca erros durante o período de adaptação de quem entra no lugar.
Além disso, o regime celetista que rege o vínculo dos colaboradores de cartório traz obrigações concretas: aviso prévio, verbas rescisórias, FGTS. Cada demissão tem um custo trabalhista que vai direto para a folha. Contratar errado, mesmo que involuntariamente, sai mais caro do que demorar mais para encontrar o candidato certo.
E do ponto de vista de quem aplica, a sensação de ter sido "enganado" pela vaga deixa uma impressão ruim do cartório. Esse candidato conta para outros. Num mercado pequeno como o cartorário, reputação como empregador importa mais do que parece.
Como alinhar expectativas antes de anunciar a vaga
O alinhamento começa antes do candidato aparecer. Começa quando o cartório senta para definir o que realmente precisa. Algumas perguntas que ajudam:
Qual é a rotina real de quem vai ocupar essa posição, hora a hora?
Quais habilidades são obrigatórias e quais são desejáveis?
Qual é a faixa salarial que o cartório pode oferecer de verdade?
Existe possibilidade de crescimento? Em quanto tempo?
Qual é o volume de trabalho nos momentos de pico?
Essas respostas precisam aparecer na descrição da vaga, não só na cabeça do titular. Uma vaga bem escrita já filtra candidatos que não se encaixam e atrai quem tem perfil real para o cargo.
O que colocar (e o que não omitir) na descrição da vaga
Descrição boa não é descrição longa. É descrição honesta. Você não precisa escrever um manual. Mas precisa dizer, pelo menos:
O tipo de serventia (registro de imóveis, tabelionato de notas, registro civil) e o que isso significa no dia a dia.
As principais funções, de forma concreta. "Elaborar minutas de escrituras" é melhor que "auxiliar nas atividades notariais".
Se há atendimento ao público, diga isso. Se o volume é alto, diga também.
A faixa salarial, mesmo que seja uma faixa ampla. Esconder esse dado cria atrito na entrevista.
O horário de trabalho e qualquer particularidade (plantão, sábado, hora extra eventual).
O que você omite para "não espantar candidatos" quase sempre espanta mesmo, só que depois, quando o custo é maior.
A entrevista como ferramenta de alinhamento, não só de seleção
A entrevista não serve só para o cartório avaliar o candidato. Serve para o candidato entender o que ele está aceitando. Isso muda a postura de quem entrevista.
Reserve tempo para apresentar o ambiente, explicar como o time funciona, falar sobre o ritmo de trabalho. Deixe espaço para perguntas genuínas. Um candidato que pergunta muito durante a entrevista está sendo honesto sobre suas dúvidas. Isso é bom sinal, não problema.
Se der, mostre o espaço físico, apresente quem já trabalha lá. Pequenas ações assim ajudam o candidato a confirmar se quer ou não o cargo, antes de aceitar. E candidato que aceita com consciência fica mais tempo.
O que o candidato pode fazer pelo próprio lado
Para quem está buscando uma posição em cartório: pesquise antes de chegar na entrevista. Entenda qual tipo de serventia é aquela, porque as rotinas são bastante diferentes entre si. Um tabelião de protestos tem uma dinâmica completamente distinta de um oficial de registro civil.
Pergunte, sem receio, sobre salário, horário, possibilidade de crescimento e como é o dia a dia do cargo. Se o cartório não souber responder essas perguntas com clareza, isso já é uma informação importante. Você pode conferir vagas abertas em cartórios de todo o Brasil no portal VPC e comparar o que cada anúncio descreve antes de enviar o seu currículo.
Checklist para evitar desalinhamento na sua próxima contratação
Antes de anunciar: descreva a rotina real do cargo, não o cargo ideal.
No anúncio: inclua faixa salarial, horário e tipo de serventia.
Na entrevista: reserve tempo para apresentar o ambiente e responder perguntas do candidato.
Antes de contratar: confirme se o candidato entendeu o que o trabalho envolve, incluindo os pontos mais exigentes.
No início da contratação: use os primeiros dias para alinhar expectativas de desempenho e integrar o novo colaborador à cultura do cartório.
Contratação bem-feita não é a que fecha mais rápido. É a que gera menos retrabalho depois e dedicar mais atenção à etapa de definição da vaga e ao processo seletivo em si reduz a chance de um desligamento prematuro que vai exigir tudo de novo, do zero.
Para mais conteúdos sobre gestão de pessoas no setor extrajudicial, acesse o blog do Vagas Para Cartórios. Tem material específico para quem contrata e para quem busca colocação na área.
Se o seu cartório tem uma vaga aberta agora, cadastre sua serventia no portal VPC e publique o anúncio para candidatos qualificados do setor. Com as informações certas desde o início, as chances de encontrar o profissional certo aumentam bastante.