
Como mapear as competências da equipe atual antes de abrir uma nova vaga
Antes de abrir uma vaga, mapeie as competências da sua equipe. Veja como fazer isso de forma prática no cartório. Comece agora.
Abrir uma vaga sem antes olhar para dentro do cartório é o caminho mais rápido para contratar a pessoa errada. Você talvez não precise de alguém novo. Ou precisa, mas de um perfil completamente diferente do que imaginou. Mapear as competências da equipe atual é o que separa uma contratação estratégica de um gasto que não resolve o problema.
O que é mapeamento de competências e por que ele importa no cartório?
Mapeamento de competências é o processo de entender o que cada pessoa da sua equipe sabe fazer, o que faz bem e onde ela trava. No cartório, isso tem peso extra: as funções são específicas, a margem de erro é baixa e o regime celetista exige que as atribuições sejam claras desde o início do contrato.

Foto: Lukas Blazek / Pexels
Sem esse diagnóstico, você pode contratar um escrevente para cobrir uma lacuna que, na verdade, já existe dentro da sua equipe e só precisa de treinamento.
Por onde começo na prática?
Comece listando todas as funções que o cartório precisa executar, não os cargos que você tem, mas as atividades reais: atendimento ao balcão, lavratura de atos, controle de protocolo, digitalização, emissão de certidões, conciliação de emolumentos, arquivo. Depois, coloque ao lado o nome de quem executa cada uma dessas funções e com qual nível de autonomia.
Esse cruzamento simples já revela onde está a dependência excessiva de uma só pessoa e onde há ociosidade disfarçada de sobrecarga.
Como avaliar o nível de cada escrevente sem criar clima ruim?
Mas no dia a dia do cartório, isso pode ser feito de forma direta e sem formalidade excessiva. Conversas individuais, observação do fluxo de trabalho e análise de indicadores simples (tempo de atendimento, taxa de retrabalho, volume de atos lavrados) já dizem muito.
O importante é deixar claro que o objetivo não é punir, mas entender onde a equipe está e para onde pode crescer. Escreventes que percebem isso tendem a ser mais honestos sobre suas próprias limitações.
Quais competências são indispensáveis em qualquer cartório?
Independente da especialidade da serventia, há um conjunto de competências que todo cartório precisa ter coberto:
Técnicas: conhecimento dos atos da especialidade, legislação aplicável, sistemas de registro e protocolo.
Operacionais: organização de prazos, gestão de documentos, uso dos sistemas eletrônicos do setor.
Relacionais: atendimento ao público, comunicação com partes e advogados, resolução de conflitos simples no balcão.
De conformidade: sigilo, ética no trato de informações sensíveis, atenção a prazos legais.
Quando você mapeia a equipe com essa grade, fica fácil ver onde está o buraco antes de publicar qualquer vaga.
Como identificar se a lacuna é de competência ou de estrutura?
Às vezes o escrevente tem capacidade, mas não tem autonomia porque o fluxo interno é confuso. Às vezes o problema é volume: a pessoa daria conta, mas tem gente de menos. E às vezes, de fato, falta competência específica que a equipe atual não tem e não vai desenvolver a curto prazo.
Distinguir os três casos evita tanto a contratação desnecessária quanto o erro oposto: sobrecarregar quem já está no limite achando que é questão de "se esforçar mais".
E se eu descobrir que tenho alguém subutilizado na equipe?
Escreventes com capacidade para mais que a função atual exige costumam estar presos em tarefas repetitivas por falta de oportunidade interna. Antes de abrir uma vaga, vale perguntar: esse profissional poderia assumir mais responsabilidades com um ajuste de função ou uma progressão salarial?
Internamente, isso é muito mais barato e menos arriscado do que contratar alguém de fora. E do ponto de vista da retenção, é o tipo de movimento que faz uma pessoa ficar.
Quando o mapeamento confirmar que a vaga é necessária, o que muda na hora de anunciar?
Com o diagnóstico em mãos, você sabe exatamente qual competência precisa entrar pela porta. O anúncio fica mais preciso, as entrevistas ficam mais objetivas e a seleção compara candidatos com base no que realmente importa para aquele cartório, não em requisitos genéricos copiados de outras vagas.
Você também consegue ser honesto com o candidato sobre o que o espera. Isso reduz a rotatividade nos primeiros meses, que costuma acontecer quando a vaga anunciada e a vaga real são coisas diferentes. Quem procura vagas em cartório valoriza clareza sobre o que vai fazer no dia a dia.
O que um candidato percebe quando o cartório fez esse trabalho?
Candidatos experientes percebem quando a vaga foi pensada de verdade. A descrição é específica, as perguntas na entrevista fazem sentido e o gestor consegue explicar exatamente o que falta na equipe. Isso passa confiança e atrai perfis melhores. Cartório que anuncia vaga genérica recebe currículo genérico.
Erros comuns a evitar
Mapear só na hora da crise. Quando falta gente é o pior momento para pensar com clareza. Faça esse exercício pelo menos uma vez por ano, mesmo que não haja vaga aberta.
Confundir cargo com função. O cargo está na CTPS. A função é o que a pessoa realmente faz. Nos cartórios, essas duas coisas frequentemente não coincidem.
Pular a conversa com a equipe. Nenhuma planilha substitui uma conversa direta com o escrevente sobre o que ele sente que sabe e o que quer aprender.
Abrir vaga antes de fechar o diagnóstico. Parece ganhar tempo, mas quase sempre gera retrabalho. O processo seletivo é caro e desgastante. Vale parar um dia antes de correr um mês depois.
Ignorar o potencial interno. Promoção interna bem feita retém talento. Contratação sem avaliar o que já existe dentro é desperdício.
Se você quer aprofundar outros temas de gestão e carreira no setor extrajudicial, o blog do VPC tem conteúdo direto pra quem trabalha ou gerencia cartório no Brasil. Você também pode consultar orientações do Anoreg-BR sobre boas práticas de gestão no setor.
Se o mapeamento confirmou que você precisa contratar, cadastre sua vaga no Vagas Para Cartórios e alcance candidatos que já conhecem a realidade do setor extrajudicial.