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Titular de cartório avaliando candidato a escrevente em entrevista técnica
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O que avaliar na entrevista técnica de um candidato a escrevente

Equipe VPC14 de agosto de 2026Compartilhar

Saiba o que avaliar na entrevista técnica de um candidato a escrevente de cartório e contrate com mais segurança. Veja o checklist completo

Entrevistar um candidato a escrevente sem saber o que perguntar é um risco caro. A pessoa pode ter um currículo arrumado, responder bem na conversa inicial e, duas semanas depois do contrato assinado, não conseguir lidar com um protocolo simples. Contratar errado em cartório dói diferente: o ritmo não para, o titular responde pelos erros e treinar do zero consome tempo que ninguém tem.

A entrevista técnica existe justamente pra filtrar isso. Mas ela só funciona se você souber o que está testando.

A cena que todo cartório já viveu

Imagine: uma vaga de escrevente aberta, seis candidatos chamados, três com experiência anterior em cartório. Na entrevista, um deles fala bem, conhece alguns termos, demonstra disposição. O titular gosta do perfil e contrata.

Mãos de candidato sobre mesa com documentos durante entrevista de emprego

Foto: Pavel Danilyuk / Pexels

Quinze dias depois, o problema aparece. O candidato não sabe priorizar o que entra no protocolo, confunde os tipos de ato, tem dificuldade de trabalhar sob pressão em dias de pico e comete erros de digitação em minuta. Nada disso apareceu na conversa inicial porque a entrevista foi genérica demais.

Essa situação não é rara. E quase sempre tem a mesma causa: a entrevista técnica foi substituída por uma conversa informal sobre trajetória profissional. São coisas diferentes.

O que é (de verdade) uma entrevista técnica para escrevente?

Entrevista técnica não é só perguntar "você tem experiência em cartório?". É criar situações práticas, ainda que simuladas, que revelam como o candidato pensa e age diante do trabalho real.

Ela serve pra avaliar três camadas: o que o candidato já sabe, o que ele consegue aprender rapidamente e como ele se comporta quando não sabe. Essa última camada é frequentemente ignorada e é a mais reveladora.

O que avaliar na entrevista técnica de escrevente?

Essa é a pergunta que a maioria dos titulares faz na hora de estruturar o processo seletivo. A resposta direta: avalie conhecimento procedimental básico, atenção a detalhes, capacidade de seguir fluxo e postura diante do erro. Apresente uma situação simples do dia a dia do seu cartório e peça que o candidato descreva como agiria. O que ele faz com o que não sabe diz mais do que o que ele já domina.

Cinco pontos que precisam entrar na sua entrevista

1. Conhecimento procedimental, não decoreba

Não adianta perguntar "o que é uma escritura pública?". Qualquer um que estudou meia hora antes sabe responder isso. O que importa é perguntar como ele conduziria um atendimento: o que faz primeiro, quais documentos exige, o que confere antes de protocolar.

Se o candidato tem experiência prévia em cartório, aprofunde. Peça que descreva o fluxo de um ato que ele realizava com frequência. Os detalhes que ele inclui ou omite dizem muito sobre o nível real de domínio.

2. Atenção a detalhes em texto e números

Um nome grafado errado numa certidão, uma data invertida, um número de matrícula equivocado: esses erros têm consequências reais para quem recebe o documento.

Um recurso simples: entregue ao candidato um documento fictício com dois ou três erros deliberados e peça que ele revise. Não precisa ser nada elaborado. O que você quer ver é se ele encontra os erros, quantos encontra e em quanto tempo. Candidatos que passam a vista rapidamente e dizem "está tudo certo" já estão se eliminando sozinhos.

3. Comportamento diante do erro e da dúvida

Pergunte diretamente: "Se você receber um pedido e não souber como proceder, o que faz?" A resposta ideal envolve perguntar, confirmar, não agir no achismo. Candidatos que dizem "eu pesquisaria na internet" ou "tentaria resolver sozinho" precisam de atenção. Em cartório, a margem pra tentativa e erro é quase zero.

Você também pode simular uma situação de pressão leve: "Imagina que tem fila, o colega está ausente e chega uma demanda que você nunca viu. Como você lida?" A reação ao estresse controlado revela muito sobre como a pessoa vai se comportar nos dias de pico.

4. Fluência em digitação e sistemas

Boa parte do trabalho de escrevente é digitação contínua: minutas, certidões, protocolos, laudas. Um candidato lento ou impreciso no teclado vai criar gargalo.

Se possível, peça uma digitação simples de um texto padrão em dez minutos. Não precisa de software específico. Um editor de texto comum resolve. O que você quer observar: velocidade razoável, erros de digitação, se ele revisa o que escreveu antes de entregar.

Quanto ao sistema do cartório: se você usa um software específico, deixe claro que ele vai aprender. Mas conhecimento prévio de sistemas cartoriais é um diferencial real e vale ser perguntado.

5. Postura no atendimento ao usuário

Isso não pode ser deixado de fora da entrevista técnica. Uma forma prática: descreva uma situação de atendimento difícil (cliente impaciente, pedido inviável, documento incompleto) e pergunte como o candidato lidaria.

O que você quer ver não é cordialidade forçada. É equilíbrio: firmeza pra explicar o que não pode ser feito, cuidado pra não criar conflito desnecessário e clareza pra orientar o próximo passo. Escrevente que promete o que o cartório não pode cumprir cria problema. Escrevente que trata o usuário com rispidez cria reputação ruim.

O candidato também está te avaliando

Vale lembrar: a entrevista é uma via de mão dupla. O candidato que chega preparado, que pesquisou sobre o cartório, que tem perguntas inteligentes sobre a rotina e as expectativas da vaga, já está mostrando algo importante sobre como vai trabalhar.

Quem está selecionando talento de qualidade precisa também apresentar o cartório bem. Explique a estrutura da equipe, o tipo de ato que mais movimenta, como é o processo de integração. Um bom candidato vai embora se a entrevista parecer uma triagem descuidada.

Se você quer candidatos bem preparados, encontra perfis com experiência cartorial nas vagas disponíveis no portal VPC. Vale dar uma olhada no que está circulando.

Erros comuns a evitar na entrevista técnica

  • Fazer só perguntas abertas demais: "Fale sobre você" não revela competência técnica. Combine com situações práticas.

  • Ignorar candidatos sem experiência prévia em cartório: Experiência em tabelionato de notas não é a mesma coisa que experiência em registro civil. Avalie o que o candidato realmente viveu, não só o nome do cartório anterior.

  • Confundir boa comunicação com competência técnica: Candidato que fala bem na entrevista pode ter dificuldade no ato. Teste, não apenas converse.

  • Não dar retorno ao candidato reprovado: Não é obrigatório, mas é prática que constrói reputação positiva pro cartório como empregador.

  • Decidir rápido demais por simpatia: Feeling importa, mas não substitui a avaliação técnica. Separe as duas etapas do processo.

Para mais conteúdos sobre gestão de pessoal e boas práticas no setor cartorário, o blog do VPC tem publicações regulares voltadas pra quem está na ponta da operação.

Se você está estruturando um processo seletivo agora, o portal da Anoreg-BR também tem orientações sobre boas práticas para serventias na gestão de equipes.

Contratação certa começa antes da entrevista, na clareza do que você precisa. Mas é na entrevista técnica que você confirma ou descarta. Não abra mão dela.

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