
Como vagas mal descritas afastam bons profissionais.
Vaga genérica não atrai o profissional certo, afasta. Veja os mitos que travam a contratação em cartório e como descrever vagas que convertem.
Por que um cartório bem estruturado, com salário competitivo e boa reputação no setor, recebe poucos currículos, e os poucos que chegam não servem? Boa parte da resposta está antes de qualquer entrevista: está no texto da vaga. Uma descrição ruim filtra os candidatos errados e afasta os que você queria chamar.
Por que a descrição de vaga importa tanto num cartório?
O profissional de cartório que está empregado e considerando mudar não está enviando currículo pra qualquer coisa. Ele lê a vaga com atenção. Qualquer sinal de desorganização, requisito incoerente ou falta de informação básica já gera desconfiança. A conclusão dele é simples: se a vaga foi feita assim, como será o dia a dia lá dentro?
Foto: Sora Shimazaki / Pexels
Do lado do titular, a lógica é parecida. Você publica uma vaga sem pensar muito, recebe cinquenta candidatos que não têm a menor ideia do que é um cartório, perde dias triando, entrevistando e dispensando, e no fim repete o ciclo três meses depois. O problema não foi o mercado. Foi o texto.
Abaixo estão os mitos mais comuns que travam a contratação no setor extrajudicial.
Mito: "Qualquer candidato que queira aprender serve"
A abertura total pode parecer democrática, mas na prática ela atrai volume sem relevância. Quando a vaga não diz o que espera do candidato, você recebe currículos de áreas completamente desconectadas com a rotina de um cartório: técnico em informática, vendedor de loja, estagiário de marketing.
Não tem nada de errado com esses perfis. O problema é que você vai gastar tempo triando quem não tem nem ponto de partida pra entender o trabalho. Descrever o perfil mínimo desejado, como familiaridade com documentação, atenção a prazos, postura formal no atendimento, já filtra naturalmente e sem fechar demais.
Mito: "Não precisa falar de salário, o candidato pergunta na entrevista"
Esse é o mito que mais afasta profissionais experientes. Quem já tem emprego e está avaliando uma mudança não vai investir tempo num processo seletivo sem saber nem a faixa salarial. Ele simplesmente passa pra próxima.
Omitir o salário não protege o cartório de negociação. Só filtra quem não aceita trabalhar no escuro, ou seja, exatamente o candidato com mais critério e autoconhecimento que você queria contratar.
Se a faixa exata depende de negociação, escreva isso claramente. "Remuneração a combinar conforme experiência" já é melhor do que silêncio total. Melhor ainda é dar pelo menos um intervalo.
Quanto tempo leva para contratar um escrevente de cartório?
Depende muito da qualidade da vaga e do canal de divulgação. Um processo bem estruturado, com descrição clara, publicação em canal especializado como o Vagas Para Cartórios e triagem objetiva, costuma fechar em duas a quatro semanas. Vagas genéricas em portais abertos podem levar o dobro disso sem resultado.
Mito: "Listar muitos requisitos mostra que o cartório é sério"
Requisito demais não soa exigente. Soa desconexo. Quando uma vaga pede "superior completo em Direito, experiência em cartório de notas, domínio de sistemas cartorários, inglês intermediário e disponibilidade imediata" pra um cargo de escrevente auxiliar com salário inicial, o candidato qualificado já faz as contas e desiste.
A pergunta certa não é "o que seria ideal nesse candidato?" mas sim "o que ele precisa ter no dia um pra funcionar aqui, e o que conseguimos ensinar depois?" Requisitos obrigatórios de um lado, diferenciais desejáveis do outro. Essa separação muda o resultado da triagem inteira.
Mito: "O nome do cargo não importa, o que importa é a descrição"
O título da vaga é o primeiro filtro. É o que aparece nas buscas. Um candidato que digita "escrevente cartório" num portal de vagas não vai encontrar sua oportunidade se você publicou como "assistente administrativo" ou "auxiliar de cadastro". A nomenclatura importa tanto pelo alcance quanto pela expectativa que gera.
Use os termos que o setor usa. Escrevente, escrevente substituto, oficial de registro, assistente de tabelionato. Seja específico sobre o tipo de cartório também, porque quem tem experiência em registro de imóveis sabe que é diferente de notas, e a vaga precisa refletir isso desde o título.
Mito: "Se a vaga for no interior, não adianta caprichar, ninguém vai querer"
Esse pensamento vira profecia autorrealizável. Cartórios do interior que descrevem bem a vaga, apresentam o local com clareza, mencionam benefícios relevantes como horário, estabilidade, ambiente e perspectiva de crescimento, sim, recebem candidatos sérios, inclusive de quem busca qualidade de vida fora dos grandes centros.
O candidato que migra pra uma cidade menor em geral é mais comprometido, já fez a conta pessoal de que vale a pena. Mas ele precisa de informação pra decidir. Vaga vaga não convence ninguém a se mudar.
Mito: "A vaga foi publicada, agora é esperar"
Publicar e esperar funciona quando você tem volume. O setor cartorário é específico, com uma base de profissionais menor do que mercados generalistas. Isso significa que o canal importa muito.
Um cartório que publica em portal genérico e fica aguardando está competindo com vagas de supermercado, banco e telemarketing pelo mesmo candidato que não sabe o que é uma escritura pública. Publicar onde o profissional do setor já está, como num portal especializado em vagas para cartórios, reduz o ruído e aumenta a chance de chegar a quem realmente faz sentido.
O que o candidato sente ao ler uma vaga mal feita
Vale parar um segundo aqui pra ouvir o outro lado. O profissional que está acompanhando o mercado cartorário, atualizando o currículo e avaliando opções lê dezenas de vagas por semana. Ele aprende rápido a identificar sinais de alerta: título genérico, sem informação de localização, sem salário, lista de requisitos contraditória, texto copiado de outra vaga sem adaptar.
Quando ele encontra uma vaga assim, a reação não é frustração. É indiferença. Ele passa pra próxima. O cartório que poderia ser a oportunidade certa para esse profissional ficou invisível por causa de um texto feito sem cuidado.
Checklist: o que uma boa vaga de cartório precisa ter
- Título claro com o cargo correto e tipo de serventia (notas, registro civil, imóveis, protesto)
- Cidade e bairro, ou ao menos a indicação se é presencial, híbrido ou remoto
- Faixa salarial ou, no mínimo, indicação honesta sobre remuneração
- Requisitos separados em obrigatórios e diferenciais desejáveis
- Descrição real das atividades, sem jargão corporativo genérico
- Benefícios listados, incluindo os que são comuns no setor (plano de saúde, vale-transporte, férias remuneradas)
- Indicação do porte do cartório ou perfil da equipe, quando possível
- Etapas do processo seletivo e prazo estimado de retorno
Não precisa ser um texto longo. Precisa ser um texto honesto, claro e feito com intenção. Isso já coloca a vaga do seu cartório na frente de boa parte da concorrência.
Se você está contratando agora ou vai abrir vaga em breve, cadastre seu cartório no Vagas Para Cartórios e publique para uma base de candidatos que já conhece o setor e está buscando oportunidade na área.