
Como reduzir o ruído de candidatos fora do perfil
Receber dezenas de currículos sem nenhum perfil certo cansa e atrasa a contratação. Veja como filtrar melhor desde o anúncio.
Abrir uma vaga e receber cem currículos parece bom. Mas quando oitenta deles são de pessoas sem a menor aderência ao que você precisa, o processo vira um gargalo. O tempo que vai pro crivo é tempo que sai da serventia. E a contratação errada, quando acontece, custa muito mais do que o processo seletivo custaria se fosse bem estruturado.
A boa notícia é que boa parte desse ruído vem de falhas no anúncio, não de um mercado de candidatos ruim. E isso dá pra corrigir antes de publicar a próxima vaga.
Por que cartório atrai candidato fora do perfil?
Candidatos sem perfil para a área cartorária aparecem em volume quando o anúncio é genérico demais. "Vaga administrativa", "oportunidade na área jurídica", "experiência com atendimento ao público" são descrições que valem pra um banco, pra uma loja e pra um cartório ao mesmo tempo. O resultado é uma fila de candidatos que nunca ouviram falar em ata notarial, matrícula de imóvel ou registro de nascimento.
Foto: Pixabay / Pexels
Outro fator: o Cartório carrega uma imagem de estabilidade que atrai quem está apenas fugindo de emprego ruim, não quem tem interesse real no setor. Isso não é problema do candidato, é problema do filtro.
1. Escreva o anúncio como se fosse uma descrição de cargo, não uma chamada publicitária
Anúncio vago atrai candidato vago. Se a vaga é para escrevente de Registro de Imóveis, diga isso. Coloque as atribuições reais: análise de documentação para matrícula, atendimento de qualificação de títulos, emissão de certidões. Quem nunca trabalhou com isso vai ler e perceber que não é pra ele.
Quem tem experiência vai reconhecer o vocabulário e se interessar mais. Esse é o efeito que o anúncio específico cria: ele filtra naturalmente, dos dois lados.
2. Sinalize o ambiente de trabalho com clareza
Cartório tem uma rotina própria: volume de atendimento, prazos legais, atenção ao detalhe, responsabilidade sobre documentos públicos. Isso não é pra todo mundo e está tudo bem deixar isso explícito no anúncio.
Frases como "ambiente com alto volume documental e prazos rígidos" ou "exige atenção a detalhes e sigilo profissional" funcionam como filtro natural. O candidato que lê isso e ainda manda currículo já passou por uma triagem informal.
3. Use pré-requisitos de verdade, não lista de desejos
Há uma diferença entre o que é obrigatório e o que é desejável. Se você colocar dez requisitos obrigatórios quando cinco bastariam, o candidato experiente que não preenche todos vai desistir. E o candidato que nunca trabalhou com nada disso vai mandar currículo de qualquer jeito, porque já está acostumado a ignorar requisitos.
Seja cirúrgico: dois ou três pré-requisitos reais (como "experiência anterior em cartório", "familiaridade com sistemas de gestão cartorial" ou "curso técnico em Direito ou Registros Públicos") valem mais do que uma lista extensa que ninguém leva a sério.
4. Adicione uma etapa de triagem antes da entrevista
Entrevistar todo candidato que mandou currículo é o erro mais caro do processo. Uma etapa simples de triagem, antes do contato direto, já corta metade do ruído.
Pode ser um formulário com três perguntas objetivas (você já trabalhou em cartório? em qual tipo? qual sistema você conhece?), um teste rápido de digitação e atenção, ou até uma questão aberta sobre por que quer trabalhar nesse setor. O candidato que não responde já eliminou a si mesmo. O que responde com cuidado mostra comprometimento antes mesmo da entrevista.
5. Publique onde o candidato certo está, não onde é mais fácil
Postar vaga em portal genérico de empregos traz volume, mas nem sempre traz qualidade para o setor cartorário. O candidato que já trabalha ou quer trabalhar especificamente em cartório busca em canais especializados. Ele quer uma vaga em cartório, não uma vaga administrativa qualquer.
Isso não quer dizer abandonar os canais grandes, mas complementar com onde o perfil certo costuma estar. A segmentação do canal já é um filtro antes do anúncio.
6. Descreva o vínculo e a remuneração sem mistério
Cartório tem regime celetista (CLT). O escrevente é empregado do titular, com carteira assinada, FGTS, férias, 13º. Isso precisa estar claro no anúncio. Candidatos que buscam vínculo estatutário ou que confundem com cargo público vão se frustrar, e você vai gastar tempo de entrevista explicando o básico.
Salário ou faixa salarial também ajuda. Candidato que vê "a combinar" tende a aplicar pra tudo e filtrar depois, o que aumenta o volume de candidaturas sem comprometimento real.
7. Avalie o candidato pelo histórico documental, não só pela entrevista
Quem já trabalhou em cartório vai ter na história profissional referências identificáveis: nome de serventias, tipo de registro, sistemas utilizados (e-Notariado, ONR, RCPN etc.). Isso é verificável e pesa mais do que uma boa apresentação pessoal.
Peça referências e confirme. O setor extrajudicial é menor do que parece, e checar com o cartório anterior leva cinco minutos e evita muita dor de cabeça depois.
Uma nota para o candidato que está lendo isso
Se você está do outro lado, tentando entrar no setor, o ruído também existe na sua direção. Aplicar pra toda vaga que parece próxima de "jurídico" sem adaptar o currículo e a carta ao tipo de cartório aumenta sua taxa de rejeição e diminui seu sinal entre os demais candidatos.
Pesquise o tipo de serventia antes de mandar o currículo. Um Tabelionato de Notas tem atribuições completamente diferentes de um Oficial de Registro Civil. Mostrar que você sabe essa diferença já coloca você à frente de metade das candidaturas. Para acompanhar oportunidades específicas do setor, vale cadastrar seu currículo na plataforma do VPC e receber alertas das vagas que fazem sentido pro seu perfil.
Checklist prático antes de publicar a próxima vaga
- Nome do cargo é específico? ("Escrevente de Registro de Imóveis" em vez de "Auxiliar Administrativo")
- As atribuições reais estão descritas? Use vocabulário do setor.
- O ambiente de trabalho está sinalizado? Prazos, volume, sigilo.
- Os pré-requisitos são reais e em número razoável? No máximo três obrigatórios.
- Tem etapa de triagem antes da entrevista? Formulário, teste ou pergunta aberta.
- O vínculo CLT e a remuneração estão claros? Evita candidato desalinhado chegar até a entrevista.
- A vaga está publicada em canal especializado? Além dos portais gerais.
Para mais conteúdo sobre gestão de pessoas no setor extrajudicial, acompanhe o blog do VPC. Publicamos regularmente sobre recrutamento, rotinas da serventia e carreira cartorária.
Se você é titular ou gestor e quer anunciar sua próxima vaga para um público qualificado e segmentado, cadastre seu cartório na plataforma do VPC e publique com mais assertividade.