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titular de cartório conduzindo entrevista de emprego em escritório
Dicas de Carreira7 min de leitura

Como evitar entrevistas improdutivas

Equipe VPC30 de junho de 2026Compartilhar

Entrevistas mal planejadas custam tempo e contratações erradas. Veja os mitos que sabotam o processo seletivo em cartório e como evitá-los.

Uma entrevista mal preparada é tempo jogado fora, dos dois lados. O titular sai sem informação útil. O candidato sai sem entender o que o cartório espera. E a contratação que vier depois tem grande chance de não durar. Entender o que atrapalha o processo é o primeiro passo pra corrigir.

As crenças que atrapalham a seleção em cartório

O setor extrajudicial tem uma particularidade: boa parte dos cartórios nunca teve um processo seletivo estruturado. A vaga sempre foi preenchida por indicação, por familiar ou por alguém que já conhecia a rotina. Com a profissionalização crescente do setor, isso mudou. Mas os hábitos ainda carregam alguns mitos que vale desmontar.

candidata lendo currículo em sala de espera cartório

Foto: HONG SON / Pexels

Mito 1: "Quem tem experiência em cartório não precisa de entrevista longa"

Mas ela não diz nada sobre como a pessoa lida com prazo apertado, cliente difícil, colega de temperamento forte ou titular exigente. Competência técnica e compatibilidade com a equipe são coisas diferentes.

Um escrevente que trabalhou dez anos em registro de imóveis pode carregar vícios, resistência a mudanças ou uma relação ruim com hierarquia. Uma entrevista curta não captura isso. Use a experiência como ponto de partida, não como atalho pra pular perguntas importantes.

Mito 2: "Entrevista é só pra falar sobre a vaga e o salário"

O titular chega na entrevista, explica o que o cartório faz, fala o salário, pergunta "tem alguma dúvida?" e encerra. O candidato saiu da reunião sabendo tudo sobre o cartório e você não sabe quase nada sobre ele.

Entrevista é uma via de mão dupla, mas o equilíbrio precisa pender mais pra escuta do que pra apresentação. Reserve ao menos metade do tempo pra perguntas abertas: "Me conta como era sua rotina no cartório anterior", "Como você lidava quando tinha mais demanda do que conseguia atender?". Resposta aberta revela muito mais do que "sim" e "não".

Como estruturar perguntas eficazes numa entrevista para cartório?

Em vez de "você é organizado?", pergunte "me dá um exemplo de como você priorizava protocolo em dia de pico". Isso força o candidato a relatar experiência concreta, não a vender a resposta certa. Combine com perguntas sobre erros e como foram corrigidos.

Mito 3: "Testar conhecimento técnico durante a entrevista é exagero"

Especialmente pra vagas de escrevente com atribuição específica, como lavrar atas de assembleias, fazer qualificações registrais ou expedir certidões complexas, uma prova técnica curta poupa semanas de treinamento que vão revelar o mesmo resultado.

Não precisa ser um exame formal. Uma situação prática, um caso hipotético simples, já é suficiente. "Se chegasse uma matrícula com restrição X, qual seria sua conduta?" diz muito mais do que "você conhece registro de imóveis?".

Mito 4: "O perfil certo pra cartório é o candidato calmo, discreto e sem muita opinião"

Mas confundir discrição com passividade é um erro. Cartório precisa de gente que consiga lidar com pressão, se comunicar bem com o público e, às vezes, dar uma notícia ruim ao cliente sem perder a compostura.

O candidato quieto que concorda com tudo na entrevista pode ser exatamente o que você não quer na fila de atendimento. Observe como a pessoa se expressa, se consegue defender um ponto de vista com educação, se tem clareza ao explicar algo. Comunicação é habilidade operacional em cartório, não detalhe.

Mito 5: "Entrevista online não funciona pra essa seleção"

Uma chamada de vídeo de 20 minutos antes de chamar o candidato presencialmente economiza tempo de todo mundo, especialmente quando o cartório recebe muitas aplicações ou quando o candidato mora longe.

O formato online não substitui o presencial pra decisão final, principalmente porque a vaga exige perceber postura, apresentação pessoal e como a pessoa se comporta no ambiente. Mas como filtro inicial é eficiente, e ignorar essa possibilidade é trabalhar com mais esforço do que o necessário.

Mito 6: "Se o candidato vier por indicação de alguém de confiança, a entrevista é só protocolo"

Quem indicou conhece o candidato no contexto dele, não no contexto do seu cartório. A rotina, o volume de trabalho, o estilo de gestão, as relações com a equipe, tudo isso é diferente de um cartório pro outro.

Conduzir a entrevista com o mesmo rigor de qualquer outro candidato protege você, protege quem indicou e evita constrangimento depois. Uma contratação malsucedida por indicação cria dois problemas: você perde o profissional e, muitas vezes, a relação com quem indicou.

A perspectiva de quem está do outro lado

Candidatos que buscam vagas em cartório têm uma queixa frequente: saem da entrevista sem entender o que o cartório esperava deles. O processo foi uma conversa vaga, sem clareza sobre atribuições, sem saber a quem responderiam, sem noção de como seria avaliado o período de experiência.

Isso prejudica o candidato, mas prejudica mais o cartório. Um profissional que aceita a vaga sem entender o que ela exige vai descobrir a realidade nos primeiros dias, e as chances de ele sair ou de a adaptação ser longa aumentam muito. Clareza na entrevista é investimento, não detalhe de protocolo.

Se você está do lado do candidato e quer se preparar melhor, o blog do VPC tem conteúdo específico sobre carreira no setor extrajudicial.

Checklist: o que não pode faltar numa entrevista bem feita para cartório

  • Defina antes o que você precisa: competências técnicas, comportamentais e o que é eliminatório.

  • Prepare perguntas situacionais baseadas na rotina real da vaga, não em perguntas genéricas de RH.

  • Reserve tempo pra ouvir mais do que pra apresentar o cartório.

  • Inclua ao menos uma questão técnica prática proporcional ao nível da vaga.

  • Explique claramente: atribuições, hierarquia, período de experiência e critério de avaliação.

  • Trate indicações com o mesmo processo que qualquer outro candidato.

  • Formalize tudo: contrato, salário, cargo, carga horária, desde o início.

Entrevista bem conduzida não garante a contratação perfeita, mas reduz muito a chance de erro. No cartório, onde a equipe costuma ser pequena e cada saída custa, esse cuidado faz diferença real.

Se você precisa contratar agora e quer alcançar candidatos que já conhecem o setor extrajudicial, anuncie sua vaga no Vagas Para Cartórios e conecte seu cartório a quem já fala a mesma língua.

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