
Por que a descrição da vaga influencia a qualidade da candidatura
A descrição da vaga determina quem vai se candidatar. Veja os mitos que fazem cartórios receberem currículos errados e como corrigir isso.
Por que cartórios recebem tantos currículos ruins? Muitas vezes, a resposta está no próprio anúncio. Uma descrição de vaga vaga, genérica ou mal escrita atrai candidatos que não servem para o cargo, e afasta exatamente quem você precisava contratar. O problema começa antes da triagem, antes da entrevista, antes de qualquer decisão sua.
Mito 1: "Descrever pouco deixa a vaga mais atrativa"
A lógica parece fazer sentido: quanto menos você restringir, mais gente se candidata. Mais candidatos, mais escolha. O problema é que isso não funciona assim.
Foto: MART PRODUCTION / Pexels
Uma descrição superficial não atrai mais candidatos qualificados. Ela atrai mais volume, sim, mas com qualidade menor. Você vai receber currículos de pessoas sem nenhuma experiência em cartório, sem conhecimento do ambiente extrajudicial, sem perfil pra função. Isso aumenta o trabalho de triagem e diminui a chance de achar quem realmente precisa.
A verdade é o oposto: uma descrição bem detalhada filtra por conta própria. Candidatos sem perfil desistem antes de aplicar. Candidatos com perfil se identificam com o texto e chegam mais motivados.
Mito 2: "Qualquer descrição de escrevente serve para qualquer cartório"
Escrevente de Registro de Imóveis e escrevente de Tabelionato de Notas fazem coisas completamente diferentes. Um analisa matrículas, averba construções, faz buscas de gravames. O outro lavra escrituras, procurações, testamentos. As rotinas, os conhecimentos e os perfis são distintos.
Usar um texto genérico de "escrevente cartorário" não comunica nada disso. O candidato que chega sem entender qual é a especialidade do cartório vai precisar de muito mais tempo pra se adaptar, ou simplesmente não vai se adaptar. Especificar o tipo de serventia, as principais rotinas e o que o profissional vai fazer no dia a dia faz toda a diferença.
Por que a descrição da vaga influencia a qualidade das candidaturas?
Porque o candidato decide se vai se candidatar com base no que lê. Uma descrição clara sobre o tipo de cartório, as atividades principais, o regime de trabalho e o perfil esperado ajuda o candidato certo a se reconhecer na vaga. Isso reduz triagem, melhora entrevistas e acelera a contratação.
Mito 3: "Não precisa mencionar salário. Quem quiser, pergunta"
Omitir a faixa salarial é um dos erros que mais desperdiçam tempo de todo mundo. Candidatos bem posicionados no mercado, com experiência relevante, costumam pular vagas sem remuneração informada. Eles já passaram por entrevistas em que a proposta final não chegou nem perto do esperado.
Cartórios têm a vantagem de trabalhar com tabelas de emolumentos reguladas e, em muitos casos, de oferecer estabilidade e benefícios que o mercado privado não dá. Informar a faixa salarial e os benefícios no anúncio posiciona a vaga de forma mais competitiva, não o contrário. Esconder esse dado não protege sua negociação, só afasta bons candidatos.
Mito 4: "O candidato vai aprender o que precisar depois que entrar"
Esse pensamento leva a contratações frustradas dos dois lados. Quando a vaga não informa o nível de experiência esperado, o candidato não consegue avaliar se está pronto para a posição. Você pode contratar alguém que superestimou suas habilidades, ou deixar de atrair quem tem exatamente o que você precisa porque achou que a vaga era para outro nível.
Informar se a vaga é para alguém sem experiência (e que o cartório vai treinar), para profissional com experiência mínima em cartório, ou para escrevente sênior que assume responsabilidades de forma autônoma, muda completamente o público que vai chegar até você. E muda a expectativa que esse profissional vai ter do primeiro dia em diante.
Mito 5: "Requisitos formais são suficientes para descrever o cargo"
Ensino médio completo, disponibilidade de horário, experiência com atendimento ao público. Esse tipo de lista diz pouco sobre o que realmente vai ser exigido do profissional dentro de um cartório.
Competências que realmente importam para o setor raramente aparecem nesses anúncios: atenção a detalhes em documentos, capacidade de lidar com prazos rígidos, discrição no trato com informações sigilosas, tranquilidade no atendimento de situações sensíveis (inventários, registros de óbito, separações). Um candidato que se vê nessa descrição chega à entrevista sabendo o que o espera. E você já poupou tempo eliminando quem não tem esse perfil.
Mito 6: "A descrição é só pra atrair. O que importa é a entrevista"
A entrevista é importante, claro. Mas ela depende de quem chegou até ela. Se a descrição trouxe candidatos desalinhados, a entrevista vai ser longa, improdutiva e vai te dar poucas boas opções no final.
A descrição não é um texto de marketing. É uma ferramenta de seleção. Ela trabalha antes de você entrar em cena. Um anúncio bem escrito já faz a primeira triagem, já comunica a cultura do cartório, já define as expectativas do cargo. Quando o candidato chega à entrevista, boa parte do alinhamento já aconteceu, e você pode ir direto ao que importa.
Vale pensar também na perspectiva de quem está do outro lado: candidatos que buscam vagas em cartório costumam avaliar o anúncio como um espelho do ambiente de trabalho. Uma vaga mal escrita, com texto confuso ou informações contraditórias, passa a impressão de que o cartório tem a mesma desorganização internamente. Os melhores profissionais, que têm opções, escolhem anúncios que transmitem clareza e seriedade.
O que uma boa descrição de vaga para cartório precisa ter
- Tipo de serventia: deixe claro se é Tabelionato de Notas, Registro de Imóveis, Registro Civil, Protesto ou outro. Cada um tem rotina própria.
- Principais atividades: não use genérico. Diga o que o profissional vai fazer de verdade no dia a dia.
- Nível de experiência esperado: júnior, pleno, sênior, ou sem experiência com treinamento previsto.
- Regime de trabalho: o vínculo é celetista, com os direitos da CLT. Deixe claro o horário, se há revezamento, se atende aos sábados.
- Faixa salarial e benefícios: mesmo que seja uma faixa aproximada, informe. Transparência atrai candidato alinhado.
- Perfil comportamental: discrição, atenção a detalhes, capacidade de trabalhar sob pressão. Fale o que você espera da pessoa, não só do currículo.
Você encontra mais conteúdo sobre gestão de pessoas e contratação no setor extrajudicial no blog do Vagas Para Cartórios. São artigos feitos pra quem trabalha ou contrata dentro dessa realidade.
Checklist rápido antes de publicar sua vaga
- O tipo de cartório está claro?
- As atividades principais estão descritas de forma concreta?
- O nível de experiência esperado está indicado?
- O regime, horário e eventuais condições específicas estão informados?
- A faixa salarial ou pelo menos os benefícios estão mencionados?
- O texto diz algo sobre o perfil comportamental esperado?
Se a resposta for não em mais de dois itens, revise antes de publicar. Cada campo preenchido bem é um filtro que trabalha por você.
Se você é titular ou gestor e quer anunciar uma vaga com mais alcance e qualidade, cadastre seu cartório no Vagas Para Cartórios e publique para uma base de candidatos que já conhece o setor extrajudicial.