
O que avaliar no currículo de um candidato que nunca trabalhou em cartório
Como contratar bem quem nunca trabalhou em cartório? Veja o que avaliar no currículo e dê a largada certa na seleção. Confira o guia.
Todo cartório já passou por isso: chega uma pilha de currículos e boa parte dos candidatos nunca pisou em uma serventia. Dá pra contratar bem mesmo assim? Dá. Mas você precisa saber o que procurar, porque o filtro certo muda completamente o resultado.
O que avaliar no currículo de quem nunca trabalhou em cartório?
A resposta curta: comportamento, capacidade de aprender e perfil para trabalho técnico com responsabilidade. Quem nunca trabalhou em cartório não tem como ter experiência cartorial, obviamente. O que você está avaliando é o potencial de alguém se tornar um bom profissional da área. E isso aparece no currículo, sim, se você souber onde olhar.
Foto: Andrea Piacquadio / Pexels
1. Comece pela estabilidade profissional
Antes de ler qualquer detalhe, olhe o histórico de empregos. O candidato ficou quanto tempo em cada lugar? Saiu com frequência alta sem uma razão clara?
Cartório não é ambiente de alta rotatividade por natureza. O trabalho exige acúmulo de conhecimento, e quem sai a cada seis meses raramente chega ao nível de rendimento que você precisa. Isso não é preconceito, é realidade operacional.
Um candidato que ficou dois, três anos no mesmo emprego, mesmo que seja em área completamente diferente, já mostra um sinal positivo. Vale anotar.
2. Identifique experiência com documentos, prazos e responsabilidade técnica
A palavra "cartório" pode não aparecer no currículo, mas as competências aparecem. Procure passagens em: cartório judicial (vara cível, vara de família), escritório de advocacia, contabilidade, setor de RH, setor financeiro, hospital, prefeitura, cartório do INSS.
Qualquer função que envolva controle de documentos, prazos rígidos, atendimento com dados sensíveis ou registro de informações é um bom sinal. A lógica é simples: quem já aprendeu a tratar um documento com cuidado aprende mais rápido a tratar uma certidão, uma escritura, um registro.
O que você quer evitar é alguém que nunca precisou ser meticuloso. Cartório não perdoa deslize de atenção.
3. Avalie o nível de escolaridade com critério, não como critério único
Ensino médio completo é o piso para a maioria das funções de escrevente. Mas superior completo ou em andamento em Direito, Administração ou áreas afins é um diferencial real, especialmente pra funções que vão exigir entendimento de atos notariais e registrais mais complexos.
Dito isso, escolaridade alta com histórico instável pesa menos do que escolaridade média com trajetória sólida. Use a formação como contexto, não como decisão.
4. Leia os cursos e certificações com atenção
Candidato sem experiência cartorial que buscou se qualificar por conta própria mostra iniciativa real. Fique de olho em:
- Cursos de direito notarial e registral (mesmo que básicos)
- Cursos de atendimento ao público
- Excel, sistemas de gestão documental, digitação
- Cursos da Anoreg-BR ou entidades estaduais do setor
Quando alguém estuda por conta antes de ser contratado, você já sabe que a curva de aprendizado vai ser mais curta. E curva de aprendizado curta é dinheiro economizado em treinamento.
5. Cheque a objetividade do texto
Currículo cheio de termos vagos como "excelente comunicação interpessoal" e "comprometido com resultados" não diz muita coisa. O que importa é o que o candidato fez de concreto.
Um currículo bem escrito traz o quê, não só o onde. "Responsável pelo controle e arquivamento de 300 processos mensais" diz muito mais do que "atuei na área administrativa".
Candidato que sabe se comunicar por escrito com clareza tem muito mais chance de aprender a redigir comunicações internas, ofícios e prenotações com precisão. Texto ruim no currículo é um sinal que vale levar a sério.
6. Considere o perfil comportamental pelo histórico, não por suposição
Você não vai saber se o candidato tem paciência pra lidar com público difícil só lendo o currículo. Mas dá pra perceber algumas coisas.
Função anterior em atendimento ao público? Isso exige tolerância à pressão. Trabalhou com público em loja, banco, unidade de saúde? Vai se sair melhor no balcão de um Cartório de Notas ou de Registro Civil do que alguém que só trabalhou em funções internas sem contato com ninguém.
Mapear isso antes da entrevista ajuda a montar as perguntas certas, e a entrevista fica muito mais produtiva.
Erros comuns na hora de analisar esse tipo de currículo
Descartar rápido demais. "Não tem experiência em cartório" não significa "não serve". Significa que você vai precisar treinar, e isso é normal, especialmente em serventias que têm método próprio de trabalho.
Valorizar demais a formação em Direito. Bacharel em Direito não é sinônimo de bom escrevente. O curso de Direito não ensina rotina cartorial. Ensina teoria. O trabalho no balcão é outra habilidade, que se aprende no dia a dia.
Ignorar o intervalo de tempo sem trabalho. Uma pausa de seis meses pode ser estudo, doença, cuidado com familiar. Vale perguntar na entrevista, sem julgamento. Mas um histórico cheio de buracos sem explicação merece atenção.
Exigir currículo perfeito esteticamente. Layout bonito não diz nada sobre competência. Conteúdo claro e objetivo, sim.
O que o candidato sem experiência pode fazer pelo próprio currículo
Se você é quem está buscando vagas em cartório sem ter experiência na área, a dica é direta: mostre o que você fez de concreto em cada emprego anterior, busque pelo menos um curso introdutório sobre o setor e deixe claro no currículo que entende o que é responsabilidade técnica. Titular nenhum quer treinar alguém que não demonstra comprometimento com precisão.
Checklist rápido para a análise do currículo
- Tempo médio em cada emprego anterior (estabilidade)
- Funções que envolveram documentos, prazos ou dados sensíveis
- Escolaridade no contexto do cargo que você está preenchendo
- Cursos e certificações relevantes para o setor
- Qualidade do texto (clareza, concretude, ortografia)
- Histórico de atendimento ao público (se a vaga exigir)
- Intervalos sem trabalho com ou sem explicação aparente
Contratação em cartório tem um peso diferente de outros setores: o regime celetista garante os direitos trabalhistas, mas o aprendizado da função é quase artesanal. Escolher mal custa caro, no treinamento, na qualidade dos atos e no risco de retrabalho. Vale dedicar tempo a essa análise antes da entrevista.
Quer ler mais sobre gestão de equipe e contratação no setor extrajudicial? O blog do VPC tem outros conteúdos práticos para quem está à frente de uma serventia.
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